Jogam com bolas de tecido. Remendadas e remendadas vezes sem conta. Em grupos que nasceram e cresceram ali mesmo. Num pequeno lugar com um conjunto de casas por acabar amontoadas, como um castelo de cartas. A beira da praia. Numa pequena baia. Todos de pes descal;os, correm na areia com uma alegria e entusiasmo que me deixa uma expressao na cara de um misto de perplexidade com surpresa e contentamento. E me fazem reflectir como e bom ser crian;a e ignorar ainda como a vida pode ser tao ma. Passam os dias ali. Se nao jogam a bola, estao dentro de agua, em pranchas de tabuas construidas por elas proprias, debaixo de um calor louco e de chuvas inconstantes e intensas, mas, na verdade, agradaveis e que, em nada, lhes estragam o dia. Estas sao as crianças incrivelmente vivas, que sorriem para os pescadores que passam, que todos os dias descobrem coisas novas, exploram o sitio que os viu nascer e sempre conseguem se surpreender. E magico e e a delicia dos meus olhos. Mas crescem. E se a escola nunca foi um grande interesse, agora deixa de o ser por completo. A vida passa a exigir mais deles, as prioridades alteram se e as suas ainda curtas vidas transformam se. Os pes continuam descalços, mas eles ja nao vao estar naquela praia. Vao vaguear pelas ruas. Vao andar de semaforo em semaforo a pedir e a fazerem de tudo um pouco, vender o que nao e deles, roubar, vao deixar de explorar a praia e as rochas para explorar os caixotes do lixo em cada esquina, para conseguirem sobreviver. Sao perfeitos narradores de historias maravilhosamente elaboradas e totalmente emocionantes, que me deixam de lagrimas nos lhos...mesmo sabendo, no fundo do meu coraçao, que nada daquilo e real, mas que se ninguem lhe der uma moeda, o mais provavel e nao poder voltar para casa. E se nao tiver casa? Entao nao vai comer...ou entao nao vai ter mais uma dose para o deixar adormecido ou anestesiado para a vida nas proximas horas....e isso nos nunca vamos saber...
Lidar todos os dias com isso nao e facil, mas dizem me que e um habito. Mas um habito que eu ainda nao ganhei. E que ainda me custa e que ainda me doi. Mas no fim do dia vou a janela e ainda vejo aqueles meninos a brincar na praia, a jogar na areia, a acenar aos pescadores, com sorrisos lindos e ainda inocentes estampados na cara, devolvem me o meu a mim.
Não sei quando vou voltar a janela e ver que eles ja la não estão. Mas por enquanto ainda os vejo, ainda os oiço e so isso ja vale todos os dias que passo nesta cidade e neste pais.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
segunda-feira, 5 de julho de 2010
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Recem chegada.
O voo foi chato. As melhores partes de uma viagem de aviao tem entre elas horas a mais de intervalo, na minha opiniao. O levantar voo da me um gozo absoluto e a descida para aterragem permite me tirar as 1as fotos de uma linda perspectiva do meu destino. Tudo o resto e uma perda de tempo.haha. Estive cerca de meia hora numa fila interminavel para proceder as burocracias e uma outra meia hora a espera que as minhas malas chegassem. E neste caso, meia hora e totalemnte insignificante, havendo a probabilidade de elas nem sequer aparecerem -como foi o caso de uma amiga que fiz no aviao. Sim, porque a parte boa das viagem pode ser as relaçoes fast-food que se vao fazendo dadas as condiçoes em que estamos. Faço sempre amigos novos no aviao. E giro!
Enquanto me dirijo para o carro, cheira me a...Brasil...a agua de côco...a salgadinhos feitos na rua...a calor humano... Ja oiço o som de um pagodinho e sinto o ritmo e o balançar que o brasileiro tem intrinseco no corpo, a entrar em mim...E acima de tudo cheira a mar. E se ha mar, eu estou feliz.
Cheguei bem. Estou bem.
E que uma nova aventura começe aqui! :)
ps. peço desculpa pela falta de acentos, mas o teclado esta com problemas de identidade.
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