quinta-feira, 8 de julho de 2010

Or maybe thats life...

Jogam com bolas de tecido. Remendadas e remendadas vezes sem conta. Em grupos que nasceram e cresceram ali mesmo. Num pequeno lugar com um conjunto de casas por acabar amontoadas, como um castelo de cartas. A beira da praia. Numa pequena baia. Todos de pes descal;os, correm na areia com uma alegria e entusiasmo que me deixa uma expressao na cara de um misto de perplexidade com surpresa e contentamento. E me fazem reflectir como e bom ser crian;a e ignorar ainda como a vida pode ser tao ma. Passam os dias ali. Se nao jogam a bola, estao dentro de agua, em pranchas de tabuas construidas por elas proprias, debaixo de um calor louco e de chuvas inconstantes e intensas, mas, na verdade, agradaveis e que, em nada, lhes estragam o dia. Estas sao as crianças incrivelmente vivas, que sorriem para os pescadores que passam, que todos os dias descobrem coisas novas, exploram o sitio que os viu nascer e sempre conseguem se surpreender. E magico e e a delicia dos meus olhos. Mas crescem. E se a escola nunca foi um grande interesse, agora deixa de o ser por completo. A vida passa a exigir mais deles, as prioridades alteram se e as suas ainda curtas vidas transformam se. Os pes continuam descalços, mas eles ja nao vao estar naquela praia. Vao vaguear pelas ruas. Vao andar de semaforo em semaforo a pedir e a fazerem de tudo um pouco, vender o que nao e deles, roubar, vao deixar de explorar a praia e as rochas para explorar os caixotes do lixo em cada esquina, para conseguirem sobreviver. Sao perfeitos narradores de historias maravilhosamente elaboradas e totalmente emocionantes, que me deixam de lagrimas nos lhos...mesmo sabendo, no fundo do meu coraçao, que nada daquilo e real, mas que se ninguem lhe der uma moeda, o mais provavel e nao poder voltar para casa. E se nao tiver casa? Entao nao vai comer...ou entao nao vai ter mais uma dose para o deixar adormecido ou anestesiado para a vida nas proximas horas....e isso nos nunca vamos saber...
Lidar todos os dias com isso nao e facil, mas dizem me que e um habito. Mas um habito que eu ainda nao ganhei. E que ainda me custa e que ainda me doi. Mas no fim do dia vou a janela e ainda vejo aqueles meninos a brincar na praia, a jogar na areia, a acenar aos pescadores, com sorrisos lindos e ainda inocentes estampados na cara, devolvem me o meu a mim.
Não sei quando vou voltar a janela e ver que eles ja la não estão. Mas por enquanto ainda os vejo, ainda os oiço e so isso ja vale todos os dias que passo nesta cidade e neste pais.


1 comentário:

  1. Sigo esvaziando garrafas à espera dos passos....Posso senti-la no ar, posso senti-la na ponta dos dedos, posso ver calçadas construídas para seus pés caminharem, posso ver travesseiros para a sua cabeça, posso sentir a expectativa da minha risada, posso vê-la acariciando um gato, posso vê-la dormir, posso ver a sua roupa no chão. pequenas gotas de ti pingando na poeira. sei que em alguma noite em algum quarto os meus dedos abrirão caminho através de cabelos limpos e macios. quando me penso morto penso em fazer amor contigo quando não estou por perto. é tudo tão confortável — esse fazer amor, esse dormir juntos, a suave delicadeza… outra cama outra mulher, outra casa de banho, outra cozinha outros olhos outro cabelo outros pés e dedos. Essas orelhas esses braços esses cotovelos esses olhos olhando, o afecto e a carência me sustentaram, sou um bom cozinheiro, um bom ouvinte, mas nunca aprendi a dançar. Agora sinto-me melhor dediquei-me à dança e as palavras difíceis que sempre tive medo de dizer podem agora ser ditas: eu amo-te como um homem ama uma mulher que jamais tocou, para quem apenas escreveu, de quem manteve algumas imagens. Eu poderia ter te amado mais se eu tivesse sentado numa pequena sala a fumar um cigarro e a ouvir-te a tomar banho. Mando a cerveja goela abaixo, peço uma bebida forte rápido para adquirir a garra e o amor de continuar. Eu sairei e esperarei por ti.
    Unfaithfully yours

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